NASCIMENTO DE EULALIE VIDAL, MADRE SAINTE CROIX 25 DE AGOSTO

Posted Agosto 24, 2021

Grupo Herança e Espiritualidade
Ana Luisa Valente Pinto RSCM

Hoje, 25 de Agosto, celebramos o aniversário de nascimento de Eulalie Vidal que, como Religiosa do Sagrado Coração de Maria, veio a tomar o nome de Madre Sainte Croix. A celebração da vida da Madre Ste. Croix é ocasião propícia para fazer memória e dar graças a Deus pela mulher que foi, pelas sementes que lançou e pelos frutos de Vida que o seu zelo gerou no nosso Instituto e para além dele. Ao mesmo tempo, é um convite para nos deixarmos tocar e interpelar pelo seu exemplo, pelo espírito que a moveu, pelas suas intuições e escolhas… e aí descobrir inspiração para hoje!

Eulalie nasceu em Meyrueis (Lozère), no sul de França, em 1815, no seio de uma família cristã. Foi professora aos 18 anos e, ainda jovem, abriu e tornou-se diretora de um internato em Béziers. Conta a Ir. Rosa do Carmo RSCM1, que quando o Padre Jean Gailhac a conheceu, sentiu que os talentos dela se adequavam à congregação que ele desejava fundar. Eulalie, por sua vez, sintonizou com tudo o que o P. Gailhac lhe propôs sobre a nova congregação e veio a tornar-se um dos cinco membros da comunidade fundadora do Instituto.

Trazendo para o Instituto e fazendo frutificar o seu talento particular para a educação, a Madre Ste. Croix assumiu a direção do Internato na Casa Mãe desde o seu início, em 1851. Foi também nomeada primeira assistente da Madre Saint-Jean (primeira superiora geral), encarregando-se de muitas das suas responsabilidades durante a sua doença, particularmente no esforço de expansão do Instituto. A Madre Ste. Croix estava fortemente enraizada no espírito do Instituto e era-lhe muito familiar a intenção e visão apostólica da comunidade fundacional. À morte da Madre Saint Jean, a ninguém surpreendeu que ela fosse eleita segunda superiora geral do Instituto.

O segundo volume de ‘Uma Caminhada na Fé e no Tempo’2, escrito pela Ir. Kathleen Connell RSCM, oferece-nos uma imagem histórica excelente dos anos durante os quais a Madre Ste. Croix foi superiora geral, de 1869 a 1878. Estes foram anos de enorme expansão no Instituto! A Madre Ste. Croix passou boa parte do tempo do seu mandato fora de Béziers. Especialmente através das suas visitas às “casas de missão” – como eram então designadas – ela acompanhava bem de perto a vida do Instituto e a vida das Irmãs. Na perspetiva da Ir. Mary Milligan RSCM3, “Querida” (“querida comunidade”, “querida superiora”, “querida filha”,…) foi talvez a palavra que mais facilmente fluiu da caneta da Madre Ste. Croix e dá testemunho do clima afetivo e da linguagem calorosa das suas cartas. Estas revelam-na como maternal e preocupada com as irmãs. Ela aconselha-as sobre a sua saúde, felicita-as pelos seus esforços e sucessos, encoraja-as sempre a fazer melhor.

A correspondência da Madre Ste. Croix – continua a Ir. Mary Milligan – revela que era uma mulher com uma grande capacidade de liderança. Um dos dons ao Instituto foi o seu estilo de liderança calorosa, afetiva e sensível. Ela liderou pela sua presença às Irmãs, pelas suas cartas, pela clareza das suas palavras e dos seus pensamentos, e por trazer as suas grandes habilidades educacionais às diversas escolas. Por personalidade e por dons pessoais, a Madre Ste. Croix foi uma unificadora.

Através das suas cartas é ainda possível descobrir o forte dinamismo da Madre Ste. Croix em relação às vocações. Ela correspondia-se pessoalmente com sacerdotes e amigos a quem pedia e de quem recebia recomendações. Mas não só. Mantinha igualmente contacto com jovens interessadas no Instituto, sobressaindo o modo afável e bondoso como ela se dirigia a elas. À Madre Ste. Croix devemos ainda os passos que levaram à aprovação do Instituto e das nossas Constituições, pela Santa Sé.

Na terceira década da sua existência, a Madre Ste. Croix guiou o zelo missionário do Instituto para novos territórios e fez isso com a noção clara da missão do Instituto: abraçar todos os trabalhos de zelo e todas as classes sociais, mas especialmente os pobres. Aliás, ela considerava que nenhuma fundação estaria completa se não incluísse os pobres. Como o fundador, a Madre Ste. Croix não se deixava surpreender pelas dificuldades. Ela tinha um sentido forte de que “todo o bem vem da Cruz”. A sua compreensão do papel da Cruz na sua vida e na vida do Instituto foi acompanhada igualmente por uma forte devoção à divina Providência. A sua confiança extraordinária na Providência – “A Providência é uma boa mãe”, ela escreveu – é evidente nas suas cartas. A sua fé na ação de Deus nos acontecimentos concretos foi impressionante! Ela tinha uma grande fé que o crescimento do Instituto, a partir de uma pequena semente em Béziers, era ação de Deus.

Quando a Madre Ste. Croix assumiu a função de liderança do Instituto, não havia outras casas senão a Casa-Mãe em Béziers. Na altura da sua morte, em 1878, as RSCM tinham comunidades e trabalhos em Lisburn (Irlanda), em Bootle próximo de Liverpool (Inglaterra), no Porto e Braga (Portugal), em Ferrybank (Irlanda), e em Sag Harbor (Nova Iorque). Com Gailhac – escreve a Ir. Kathleen Connell – ela lançou as sementes das fundações e ambos cultivaram com esmero o seu jardim.

A finalizar, vale a pena recordar as palavras que o P. Gailhac escreveu por ocasião da morte da Madre Ste. Croix, e cuja memória eternizam:

As nossas queridas irmãs falecidas, mortas para a terra, mas usufruindo agora da verdadeira vida, devem ser de grande conforto para nós. No céu continuam a servir-nos, como intercessoras diante de Deus. Aqui em baixo, a memória dos seus grandes exemplos de virtude jamais se apagará e será para nós um grande estímulo para caminhar sobre as suas pegadas até, um dia, nos reunirmos com elas.4

1 Sampaio, Rosa do Carmo. RSCM. Uma Caminhada na Fé e no Tempo. A História das Religiosas do Sagrado Coração de Maria, vol. 1, Fontes de Vida, 1990.

2 Connell, Kathleen. RSCM. Uma Caminhada na Fé e no Tempo. A História das Religiosas do Sagrado Coração de Maria, vol. 2, Fontes de Vida, 1992.

3 Milligan, Mary. RSCM. Letters of Mother Ste. Croix Vidal RSHM 1869-1878. A Sources of Life Publication. sd.

4 Gailhac às RSCM, GS/7/X/78/B.

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