O Caminho do Mistério: Reflexões sobre a Sexta-feira da Paixão

Posted Abril 3, 2026

por Ir. Catherine Patten

Caso prefira, assista ao vídeo gravado clicando aqui: https://youtu.be/i6M-vbsnyH0

Estou grata por poder estar convosco hoje, enquanto contemplamos o mistério da Paixão e morte de Jesus nesta sexta-feira que chamamos de «Boa».

A liturgia da Sexta-feira Santa leva-nos a entrar neste mistério, convidando-nos a enfrentar, com Jesus, aquilo que a maioria de nós mais teme: o sofrimento e a morte.

A liturgia é solene, quase austera. Começa em silêncio, com o celebrante prostrado diante do altar. As leituras são as mesmas todos os anos, indicando a sua importância. 

Is 53, o Terceiro Canto do Servo, enumera os sofrimentos do servo, mas depois proclama: Se ele der a sua vida como oferta pelo pecado, verá os seus descendentes numa vida longa, e a vontade do Senhor será cumprida através dele. Is 53

O Salmo 22, com o seu refrão: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito», repetindo os sofrimentos que Jesus suportou, mas também termina com uma nota de esperança: «Tende coragem e sede fortes, todos vós que esperais no Senhor». Salmo 22

A Igreja leva-nos ao mistério do sofrimento de Jesus, mas sempre com esperança, sem nunca perder de vista todo o Mistério Pascal. 

Na Paixão segundo João, Jesus suporta um sofrimento excruciante, mas mantém o controlo. No início da narrativa, Jesus responde três vezes à pergunta «Quem és tu?» dizendo «EU SOU». Este é o nome de Deus revelado a Moisés na sarça ardente: «Eu sou quem sou». 

Em contraste, Pedro, quando questionado se é discípulo, responde três vezes: «Não sou». 

Jesus pronuncia três palavras na cruz. Na primeira, diz ao seu discípulo João: 

«Eis a tua mãe». E a Maria: «Eis o teu filho». Jesus confia a Maria e a João que cuidem um do outro. Maria torna-se a mãe da Igreja, de todos nós. 

A segunda palavra de Jesus: «Tenho sede». Podemos conhecer este tipo de sede física, mas gerações de cristãos também ouviram isto como o desejo de Jesus por nós, a sua sede pela nossa salvação, pela conclusão da sua missão.

Depois, «Está consumado». Jesus regressa ao Pai. O Pai, o Filho e o Espírito Santo completaram a obra. Este é um mistério trinitário.

João conta-nos que, depois de Jesus ter morrido, um soldado lhe perfurou o lado com uma lança para se certificar de que Jesus estava morto, e «imediatamente saiu sangue e água». Literalmente verdade, mas também simbolicamente o fruto do sacrifício de Jesus, a salvação e a nova vida, o renascimento para todos nós, para toda a criação.

Terminemos com uma antiga oração que tem alimentado gerações de cristãos.

Alma de Cristo, santifica-me.

Corpo de Cristo, salva-me.

Sangue de Cristo, embriaga-me.

Água do lado de Cristo, lava-me.

Paixão de Cristo, fortalece-me.

Ó bom Jesus, ouve-me.

Nas tuas chagas, esconde-me.

Não permitas que eu me separe de ti.

Defende-me do inimigo malvado.

Na hora da minha morte, chama-me

e convida-me a ir ter contigo

Para que, com os teus santos, eu possa louvar-te

Para todo o sempre.

Amém!

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